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24 de agosto de 2013

A verdade sobre o impacto do islamismo nas mulheres

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Hoje eu li um artigo realmente interessante que eu gostaria de compartilhar com vocês. Foi publicado no site Vida Simples, da Abril, escrito por Marília Moschkovich.





Era o ano de 2005. Aos 18 anos, eu partia para minha primeira viagem internacional. O destino era Hammammet, uma cidade no litoral da Tunísia, para onde estava indo como parte da delegação brasileira de jovens de um evento. A primeira dúvida foi se eu, como estrangeira, deveria usar véu ou alguma vestimenta muçulmana nas ruas. Imaginei as mulheres de niqab e burqa na praia (as vestimentas que mais cobrem o corpo; veja nas páginas 50 e 51). Na minha cabeça, Tunísia, Afeganistão e qualquer país muçulmano tinham culturas e regras parecidas, sendo árabes ou não.

Pesquisei e descobri que a Tunísia é considerada um dos países muçulmanos mais "ocidentalizados" em relação a sua cultura. Eu não precisaria usar nenhum véu no calor de 40°C, e apenas uma parte pequena da população feminina de fato usava niqabs ou burqas. Fiquei mais tranquila.
Chegando lá, o calor era extremo. Os tais 40 graus referiam-se à sombra. E eu me peguei num incômodo enorme em relação às jovens mulheres que conheci. Todas elas, embora não usassem nem mesmo hijabs (o véu que cobre apenas o cabelo; veja ao lado), vestiam saias longas, com calças compridas por baixo, sapatos fechados com meia e blusas de mangas compridas. Meu espírito feminista não se conformava. Como era possível alguém sentir-se mais confortável daquela forma, naquele clima, do que como eu estava, de short, camiseta e chinelos? Desconfiei que aquelas jovens que eu conhecia eram obrigadas ou pressionadas a usar as tais roupas por alguém ou alguma instituição. Perguntei. Não. Elas podiam escolher se usavam aquelas roupas ou roupas "ocidentais", mais abertas. Tampouco eram ortodoxas, "radicais". Nada disso. Enfim, num momento mais discreto, perguntei a uma delas se ela não sentia calor, se não preferia usar roupas mais frescas. O diálogo que se seguiu foi um dos maiores aprendizados da minha vida.
"Sim, tenho calor. Roupas frescas poderiam até ser uma boa", disse ela. E perguntou se eu me depilava. Respondi que sim, que é esse o costume em meu país. "Se não me depilar, vou me sentir estranha, suja; não vou me sentir atraente", falei. Então ela disse: "Exato. É exatamente assim que me sinto em relação a essas roupas."
Meu queixo caiu. Esse curto diálogo me mostrou o quanto eu estava sendo arrogante ao considerar que minha opção era necessariamente mais livre e mais esclarecida do que aquela feita pelas muçulmanas (mais tarde, essa lição me ajudaria também a entender as cristãs e judias ortodoxas). De quebra, me ajudou a ver que mesmo as minhas escolhas não eram assim tão livres e esclarecidas quanto eu imaginava. Nenhuma escolha é.




Preconceitos repetidos
Em outros eventos internacionais e, mais tarde, visitando também a Turquia, tive a oportunidade de conviver com várias outras mulheres muçulmanas. Çigdem, Aïda, Renata, Amália, Grim, Zarnigar. Ouvir o que elas têm a dizer foi a segunda lição.
Escutando, pude perceber uma série de preconceitos que, sem notar, sustentamos e reproduzimos sobre sua existência. Para começar, os países muçulmanos não são homogêneos; eles têm regras e legislações muito diferentes entre si. Diferentemente da Tunísia, que é mais tranquila nesse sentido, no Afeganistão, sob o regime Talibã, ou no Irã, sob a ditadura, há códigos de vestimenta estritos para mulheres, que devem usar a burqa, no primeiro país, e cobrir-se no mínimo com hijab, no segundo. Nesses países, também os homens precisam vestir trajes específicos - e até turbantes, dependendo de sua posição social -, além de deixar as barbas longas.
Com nomes que bem poderiam ser brasileiros, Renata Fauzia e Amália Izzati nasceram na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, ultrapassando os 200 milhões. Renata, que é urbanista, mora na Coreia do Sul, onde faz pós-graduação. Amália hoje mora em Oslo, Noruega, onde cursa uma pós-graduação em direito da tecnologia da informação. Renata usa o véu, mais especificamente o al-amira. "Eu uso o véu pois é obrigatório que as mulheres muçulmanas cubram toda sua pele, exceto o rosto e as mãos, em público. A ideia é nos protegermos do assédio sexual masculino", conta. Amália, apesar de ter uma formação ortodoxa, assim como Renata, não usa o véu. "Eu sei que deveria usar o véu, em tese, e cobrir minha cabeça e meu corpo, mas uma parte do meu coração simplesmente não conseguia aceitar algo que eu não queria fazer", diz.
A jornalista Grim Shady, que vive em Dhakha, Bangladesh, seu país natal, usa um shayla diariamente. Seus argumentos para usá-lo não são nada tradicionais. "Cobrir-me é muito libertador no louco mundo da moda de hoje. No fim das contas, a moda é um negócio. As mulheres são o alvo dessa indústria, que quer fazê-las comprar mais e mais roupas, sapatos, bolsas, maquiagens, acessórios. Se você consegue sair desse esquema, não sente mais o fardo. É muito libertador para mim não ter de me preocupar se meu cabelo está bonito, se estou na moda da estação. Tenho meu próprio jeito de ficar bonita. Minha autoconfiança é suficiente para eu me sentir completa como ser humano", afirma.
Çigdem Seftalioglu, que nasceu e vive em Istambul, depois de ter feito pós-graduação em administração na Itália, resume essas diferenças. "Há duas interpretações do Islã sobre isso: uma diz que, se você acredita no Islã, deve usar o véu. A outra diz que é uma escolha inteiramente sua", diz. "Minha interpretação é de que se trata de uma questão essencialmente política. Em alguns países, as mulheres usam o véu porque são obrigadas por lei. Na Turquia, é uma decisão pessoal. Por isso aqui vemos muitas mulheres tanto com quanto sem o véu." Çigdem é uma muçulmana não praticante, assim como no Brasil conhecemos católicos não-praticantes. Isso significa que a pessoa tem uma formação com base religiosa, mas não pratica a religião e seus rituais, como o uso do véu ou o jejum no Ramadã.




Jejum e sexo
Jejuar no Ramadã também é uma prática com diferentes interpretações. As indonésias Renata e Amália fazem jejum ¿ e enxergam um sentido nessa atitude. "É uma prática que estimula o autocontrole", diz Renata. Aïda Merabet, que é algeriana e terminou seu MBA em administração recentemente, escolhe a cada Ramadã se vai jejuar ou não. Ela também não usa o véu nem nenhuma vestimenta ortodoxa, mas se considera uma muçulmana praticante. "O jejum tem um propósito, e eu acho que posso avaliar se preciso dessa experiência a cada Ramadã, em vez de simplesmente jejuar por hábito", conta. Çigdem simplesmente não jejua. Já Zarnigar Khwaja, estudante paquistanesa da Harvard School of Business e muçulmana não praticante, como Çigdem, gosta da prática do jejum. "Gostaria de jejuar mais. É uma ótima prática de autocontrole e para aprender a lidar com nossos desejos materiais. O motivo pelo qual não o faço é pessoal, uma escolha, mas sei que não necessariamente é a melhor para o desenvolvimento do meu caráter", diz.
O único ponto em que todas parecem concordar é o sexo. "A virgindade é algo importante para a comunidade muçulmana", diz Çigdem. Grim explica o sentido dessa importância: "Para as mulheres muçulmanas, o corpo não é a primeira coisa em jogo quando buscamos um companheiro. A personalidade é mais importante para encontrarmos um parceiro para a vida." Renata conta ainda que, para as mulheres de culturas mais ortodoxas, mesmo namoros, beijos e outros tipos de contato físico estão proibidos antes do casamento: "A maioria das minhas amigas ortodoxas se casa sem namorar. Minha vida amorosa, pelo contrário, é muito parecida com a de uma mulher não muçulmana, exceto pela falta de atividade sexual", diz. Estas são apenas algumas mulheresmuçulmanas, claro, e pode haver outras que discordem disso.
Aos poucos, convivendo com essas mulheres, descobri que o Islã é como qualquer outra religião. Sua prática depende de interpretações subjetivas, que estão ligadas a outros aspectos de diferentes culturas ao redor do mundo. Ser muçulmana significa coisas diferentes para cada uma delas, em termos de suas práticas cotidianas e, claro, nos termos da legislação do país onde vivem. "Infelizmente, quando se fala em 'mulher muçulmana' os ocidentais imediatamente imaginam uma mulher afegã usando a burqa. Recomendo que olhem as imagens das mulheres afegãs que viviam há 50 ou 60 anos. Elas eram exatamente como as ocidentais e já eram muçulmanas naquela época. Elas usam a burqa agora porque vivem sob o regime Talibã, que é extremista. Não é um problema do Islã, da religião muçulmana, mas do extremismo de alguns grupos", diz Çigdem.



A verdade é que nós temos preconceito com a religião muçulmana. Em geral, tenho certeza que a maior parte dos ocidentais consideram os valores muçulmanos injustos, machistas, e acham que todos os países são, senão iguais, extremamente semelhantes. Costumamos imaginar as mulheres muçulmanas como sofridas e injustiçadas, fazendo coisas contra a sua própria vontade. E acho que deveríamos tirar esse conceito de nosso pensamento.

Algumas pessoas defendem que as mulheres muçulmanas só seguem essas "regras sociais" porque foram educadas dessa maneira e porque a sociedade impõe isso a elas. No entanto, nesse caso, nós sofremos das mesmas coisas! Assim como as mulheres de lá se sentem mais à vontade com roupas compridas e cobrindo o corpo, aqui nós nos sentimos na obrigação de não sermos gordas, usarmos roupas na moda e estar entre os padrões de beleza. Acho que são poucas as garotas que realmente sofrem com isso, garotas que querem continuar gordas ou usar roupas que a maioria da sociedade consideram "feias". É a mesma coisa para elas, que passaram a vida inteira admirando a beleza de pessoas que se vestem daquela maneira.
Quanto aos relacionamentos, é a mesma coisa! Mesmo aqui nós temos nossos valores que outras sociedades considerariam um absurdo. Aqui, a poligamia, por exemplo, é mal vista, mesmo se todos os maridos e mulheres do casamento poligâmico concordarem e forem felizes com isso. E, nesses países, se entregar fisicamente também é uma coisa mal vista mesmo que ambos fiquem felizes com isso. Podemos dizer que a "repressão" vem em níveis iguais para nós.

Claro que isso varia de país para país - em países onde ocorre uma ditadura islâmica, como a do Talibã, aí sim, as mulheres são realmente oprimidas e as leis infringidas, severamente punidas. Mas devemos lembrar que essa repressão não está relacionada à religião e cultura, e sim ao regime político.

Espero que tenham gostado do texto :)

3 de maio de 2013

Beleza natural

2 comentários:
Pinto e faço mechas no cabelo, mas tem que ficar natural. Passo maquiagem, mas tem que ficar natural. Por baixo da roupa, uso aquelas cintas para ficar mais magra, com muito cuidado para parecer natural. Claro. Porque todas as mulheres naturalmente já nascem gostosas, com os cabelos tingidos e maquiagem, e a única problemática fui eu, que tenho que fingir que sou natural como elas. Quem mandou nascer imperfeita?



Óbvio que isso foi uma ironia. Todas nós nascemos naturalmente feias. É isso aí, feias! Com olheiras, espinhas, gordura localizada, estrias, celulite, tudo isso. "Ah, e as modelos?" As modelos também, a diferença é que elas passam anos e anos gastando todo seu dinheiro, seu tempo e sua saúde tentando agradar esteticamente as outras mulheres. É isso mesmo, as outras mulheres, e não os homens (com exceção dos homens que trabalham no ramo de moda e cosméticos). Porque as mulheres são muito mais exigentes na aparência: elas vêem nas outras aquilo que elas gostariam de ter, aquilo que elas não gostariam de ter e aquilo que elas já têm. E os tratamentos estéticos servem para igualar umas às outras, para todas seguirem um mesmo padrão. 

Aliás, um aviso: não tenho nada contra esse padrão. Só acho impossível chegar a ele sem passar pela mesa de cirurgia. O corpo padrão é: peitão, bundão, barriguinha lisa. Se você já tem barriguinha lisa, provavelmente não tem peitão nem bundão, ou seja, silicone. Se você tem essas coisas, é óbvio que vai ter alguns pneuzinhos, ou seja, lipoaspiração. Ninguém nasce com esse corpo: ele não é natural. Mas o que é natural, afinal? Se quiser beleza natural, saia por aí escabelada, sem maquiagem e pelada pra todo mundo admirar sua naturalidade. Mas as coisas não são assim, não é?

Se a gente fica mais bonita com maquiagem? Com certeza. E não precisa ser maquiagem "natural", basta ser uma maquiagem bem feita. A maquiagem é feita para esconder algumas imperfeições e ressaltar (até mesmo acrescentar) a beleza no nosso rosto, e não para transformar você em uma versão melhorada de si mesma. A moda da "beleza natural" tem justamente esse objetivo - fingir que você não tem defeitos, que na verdade o seu rosto é a própria maquiagem. Logo, de acordo com esse pensamento, usar sombra verde, rímel roxo, batom azul, delineador amarelo, é tudo feio, porque não é natural, dá pra perceber que você passou maquiagem. E não pode pintar o cabelo de uma cor que não combine com a sua pele, porque vai parecer falso (e não é falso mesmo? Qual o problema?). Mas e daí?? Qual o problema das pessoas perceberem que você passou maquiagem, que alisou o cabelo, que pintou? Vão dizer que você é falsa? Que você está tentando enganar os homens? Que é vulgar? Mas é vulgar por quê? Porque está tentando modificar sua aparência para uma que você gostaria mais? Porque você está tentando atingir o seu ideal individual de beleza, por mais que não seja o ideal dos outros?
A coisa mais importante é estar feliz com a sua aparência - e, estando feliz, você se torna mais bonita.

15 de março de 2013

Alguns pequenos sonhos malucos

2 comentários:


Estava revirando algumas coisas antigas minhas e achei essa "lista de desejos" que fiz quando era pequena... o que acham?

- Entrar dentro do espelho

- Invadir uma casa sombria e abandonada e encontrar fantasmas (fantasmas pra mim naquela época era a Turma do Penadinho...)

- Ter móveis falantes

- Conseguir chegar até a costa da África nadando (nunca deixaram, sempre falavam para eu voltar pro raso porque tava indo muito fundo no mar mimimi)

- Descobrir um mundo mágico debaixo da minha cama

- Ter uma geladeira cheia de doces que nunca acabam

- Ouvir a conversa de fadinhas no meio da madrugada

- Ficar pequena e ir morar na minha casinha de bonecas

- Receber visita de alienígenas ou ser abduzida e levada a um outro planeta

- Entrar dentro do meu livro, desenho ou filme preferido

- Ter uma biblioteca mágica secreta em casa

- Poder falar com as plantas e animais

- Mergulhar numa piscina de chocolate

- Respirar debaixo d'água

- Ter o poder de mudar a aparência do jeito que eu quisesse apenas descrevendo como eu iria querer ficar

- Achar um amuleto secreto em um baú velho e ganhar poderes

- Ser levada ao Pólo Norte de trenó para conhecer o Papai Noel

- Flagrar meus brinquedos interagindo e conversando entre si

26 de fevereiro de 2013

Sim ou não?

Um comentário:


Você passa o dia inteiro pensando nele, fica superfeliz quando o encontra e tem vontade de passar todos os dias perto dele. Se sente melhor do que nunca perto dele. Quando ele te toca, mesmo sem querer, você não quer largá-lo nunca mais. Passa o dia inteiro tentando saber mais coisas sobre ele. Ele é bonito, inteligente, engraçado e atencioso. E está solteiro.
Do meu ponto de vista pessoal, quando eu gosto de alguém, não conto para ninguém, nem mesmo para os meus melhores amigos. Gosto de manter tudo em segredo para evitar fofocas. E tenho um talento especial para não dar a menor pista que gosto daquela pessoa. Disfarço minha felicidade, meus olhares, meu nervosismo, minha vontade de falar com ele, meus pensamentos, tudo. Mas também não o evito nem o ignoro: trato ele como eu trato qualquer outro menino. E, dessa maneira, ninguém que ele é a pessoa que eu gosto. Ora, podia ser ele, mas podia ser qualquer outra pessoa.

E eis que um dia acontece algo especial - ele te olha de um jeito diferente, te faz um elogio fofo, tem vontade de conversar mais com você. Até aí, normal. Você fica flutuando de felicidade por dias, não é? Não consegue parar de sorrir por nada, parece uma boba. Aí vem o pensamento fatídico: "será que ele gosta de mim?". E começamos a conversar com nós mesmas.
- Não seja boba, ele só te elogiou, aposto que ele já fez isso com várias outras garotas.
- Mas será que ele não sente por mim algo que sentiu por essas outras garotas?
- Você pode só ter interpretado aquele elogio de maneira errada. Ele só estava tentando ser simpático com você.
- Mas por que ele estava tentando ser simpático comigo? Pode ser que ele tenha algumas intenções a mais.
- Deixa disso, não é só porque ele te elogiou que ele está a fim de você.
- Então por que ele fez isso? Só pra me deixar feliz?
Essas conversas com a gente mesma duram o dia inteiro e nunca levam a nenhuma conclusão. Você pergunta a opinião dos seus amigos: aquela amiga que desconfia de qualquer coisinha acha que ele está louco por você, mas aquela amiga meio desiludida amorosamente diz que você só está se enganando e tem que ter cuidado para não se magoar. Você continua na mesma: "será que ele gosta de mim? Mas será que ele gosta de mim tanto quanto eu gosto dele?" por dias, semanas e até meses. Até que aquele olhar, elogio ou conversa se torna algo banal, não se repetiu, não se prolongou e a felicidade passou. No entanto, você continua sentindo as mesmas coisas por ele.

E um dia, você ouve ele dizer frases como: "sou feio", "estou carente", "nenhuma garota gosta de mim", "nenhuma garota me acha bonito", "queria tanto ter uma namorada", etc. E aí???
Aí você se remexe toda mas continua calada. Que vontade de contar tudo pra ele, não é?
- Não! Não conta nada - diz a sua voz interior pessimista. - Imagina que papel de boba você vai passar. Ele nem deve gostar de você. Se ele ficar contigo, é só porque está desesperado, e não porque está a fim de você de verdade. Você quer que ele goste de você, não que ele fique com você só porque é a única opção que ele tem!
- Sim! Conte na primeira oportunidade! - diz a voz otimista. - Imagina como ele vai ficar feliz de saber que tem alguém gostando tanto dele! Com certeza ele vai ficar com você, olha como ele está carente! Vai que ele está até apaixonado? Você faria tanta diferença na vida dele, seria tão especial!
- Não, não, não! Olha que vergonha! Ele provavelmente vai rir da sua cara! Quem disse que ele te acha bonita? Quem disse que ele quer ficar com você? Isso estragaria toda a amizade de vocês! Vai se arriscar por essa bobagem?
- Vai, vai sim... melhor se arrepender de ter feito isso, do que não ter feito!

As vozes continuam brigando, e, enquanto elas se decidem, você decide ficar quietinha pensando o que é melhor. E, enquanto você pensa, uma sirigaita aparece lá e rouba ele.
Se você tivesse contado logo, você poderia estar no lugar daquela sirigaita.
Se você tivesse contado logo, vocês poderiam nem estar se falando agora, pois arruinaria a amizade caso ele não gostasse de você.
Jamais teremos como saber do que nos arrepender. E o pior é que não aprendemos nada com isso. Porque, no próximo amor, você decide contar... e estraga tudo. No outro, você decide não contar novamente... e estraga tudo. É um jogo de sorte ou azar, e não de estratégia, infelizmente.

7 de fevereiro de 2013

Contra o ódio

2 comentários:

Não adianta negar: todo mundo detesta alguém - no mínimo existem umas 5 pessoas que você conhece e não suporta, confesse. Normal. É natural do ser humano detestar outros seres humanos, e isso não faz de você uma pessoa cruel ou um monstro, você simplesmente vai conhecendo pessoas que te dão muita raiva. E ter raiva é um sentimento incontrolável.
Mas o ódio é controlável. Você pode optar por sentir ódio e não sentir - mas o mais estranho é que a maioria das pessoas acaba optando por senti-lo. Por quê? Porque, acredite ou não, ódio é algo que dá prazer. Acha que não? Então diga sinceramente: você não se sente ótima quando fala mal daquela garota que você não suporta? Não te dá vontade de dar pulos de alegria quando você vê alguma pessoa chata se dando mal? Não poderia ficar horas e horas citando todos os defeitos das pessoas idiotas da sua escola? Nunca teve vontade de fazer um planinho de "vingança" para alguém que já te tratou mal? Eu duvido que alguma dessas respostas seja "não" - e duvido mais ainda que você tenha respondido "não" para todas. Como eu disse, isso é normal... mas cultivar esse ódio é a coisa errada a se fazer.

Eu havia lido em algum lugar que ódio não é o contrário de amar, pois, quando você sente ódio por alguém, se importa tanto com ele como se estivesse o amando, mas de outra maneira. E é verdade. Quando odiamos fortemente alguém, não conseguimos ficar um dia sem falar mal daquela pessoa, não conseguimos ficar uma hora sem torcer para que ela se dê mal, que os amigos briguem com ela, que ela leve um fora, sei lá. Às vezes chegamos até ao cúmulo de criarmos caderninhos ou páginas na internet para falar mal dela. Isso é errado desde o início.

Em primeiro lugar, o ódio não te traz nenhuma recompensa. Você não é melhor do que aquela pessoa por odiá-la ou por não gostar dela. Você não vai fazer mais amigos a odiando, por mais que isso pareça verdade. Você só vai estar jogando toda a carga pesada da sua vida em cima de uma pessoa humana como você. Aliás, na maioria das vezes, odiar alguém é treta. Aquele caderninho ou página da internet pode acabar parando nas mãos (ou nos olhos) errados, principalmente se for dos pais da criatura! E você pode acabar se tornando insuportável por ficar só falando mal e falando mal de alguém. Se você conhecer uma pessoa nova, o que ela vai pensar? No mínimo, que você pode fazer a mesma coisa com ela, e por isso é melhor ela se afastar. Isso se você não descobrir depois que a pessoa nova é amiga daquela que você odeia. Portanto, você vai perder a oportunidade de fazer novos amigos. E não pense que vai se livrar disso tão fácil. Ódio vicia e é contagioso. E quanto mais você alimentá-lo, maior ele vai ficar, até um momento em que ele se torna maior do que você.
Logo, vamos todos morder a língua antes de falar mal de alguém que não gostamos ou de demonstrar isso, antes que isso nos cause encrencas. Ou você conhece alguma história de ódio que tenha final feliz?

2 de fevereiro de 2013

Encontros imaginários

Um comentário:
 Alguém reclamou do vapor que já começava a sair pela porta do banheiro. Desliguei a água quente e senti um jato congelante de água gelada cair em mim por poucos segundos, até desligá-la rapidamente.
Não era possível enxergar coisa alguma no espelho. Tentei limpar com a toalha, mas logo voltava a embaçar Joguei os cabelos para trás. Tento fazer um daqueles turbantes com a toalha, que sempre gostei. Mas, como sempre, nunca consegui fazer e fracassei de novo. Desisti e comecei a secar as costas.
Nunca me senti confortável em ver meu corpo depois do banho. Sempre fico contando os defeitinhos, um pedaço da perna mal depilado, uma manchinha na pele aqui e ali, uma marca torta de biquíni, uma celulitezinha. Sem falar nos defeitos que já sei de cor, como a barriguinha protuberante de 3 meses de almoços semanais no Mc Donald's e os ombros exageradamente largos.
Tento ignorar essas coisas, pensar que sou uma diva. Acabo de sair de um banho quente da minha hidromassagem, e estou me secando e passando óleos para logo depois receber uma massagem com músicas relaxantes ao fundo. Mas eu saio do banheiro e nem o hidratante vagabundo que eu comprei me faz sentir uma diva ou qualquer coisa assim. Pressinto que ele me deixará cheia de espinhas para eu contar nos próximos banhos e jogo-o fora sem piedade, pois ele é um atestado contra a minha auto-estima. Banhos são, em geral, um atestado contra a minha auto-estima. Não há um banho que eu tome no qual eu não pense "que bela porcariazinha que é o meu corpo". Isso poderia me ajudar a não tomar banho. Mas além de ser uma porcariazinha naturalmente, eu seria encardida. Mas me lembraria desses fatos ruins menos vezes. O que é melhor? Que indagação preocupante. Em vez de ficar olhando melancolicamente para a nova celulite que ganhei no bumbum, trato logo de colocar uma roupa.
Dilema de mulher: não tenho nada pra vestir. Tenho o armário cheio e nada pra vestir. E olha que não sou dessas pessoas que fazem compras impulsivas. Na verdade odeio comprar roupa, porque tenho a maior preguiça de experimentá-las. Penso que é melhor deixar isso pra lá e botar logo um vestido qualquer. Será que vestido laranja serve? Serve, qualquer coisa serve. E que sapato eu ponho? Preto, preto combina com tudo. Mas o único sapato preto que eu tenho não tem salto... mas dane-se.
Mexo desinteressada na caixa de maquiagem, pego a primeira cor de batom que vejo pela frente. Passo sem medo de borrar. Consequentemente acabo borrando. O mesmo acontece com o rímel. Sou obrigada a tirar. Penso um pouco se realmente devo sair, pego a bolsa e finalmente saio antes de qualquer hesitação.
Qualquer espelho ou vidro que eu passe na frente parece uma denúncia, uma luz piscante. Parece aqueles senhores que falam com você na rua no meio do nada só pra avisar que seu cadarço está desamarrado. Mas, desta vez, o senhor aponta e diz: "com licença, menina, só para avisar que você está gorda. E feia também". No entanto, eu nunca amarro o cadarço quando o senhor me avisa. Por que eu ligaria se fosse qualquer outra coisa?
Há tempos venho sonhando com príncipe encantado de filme norte-americano, aqueles gatos morenos e sarados que sem querer esbarram em você na rua, pedem desculpas, puxam assunto, trocam telefone e no fim do filme acaba beijando a mocinha. Se alguém esbarra em mim no meio da rua, no máximo pede desculpas e sai andando sem nem olhar para a minha cara. E nunca é um gato moreno e sarado, normalmente é um velhinho ou uma senhora gorda cheia de sacolas.
Na verdade, filmes norte-americanos me enganaram em muita coisa. Lá, as pessoas que entram no ensino médio tem cara de adultas, as garotas populares só têm no máximo umas 4 amigas e mesmo assim todo mundo as admira e no fim do ano sempre tem um baile da escola onde todo mundo fica feliz e o casal finalmente se beija. É muita desilusão para uma garota só.
Minha mãe me liga assim que saio do prédio: "volte às onze, filha, amanhã você precisa acordar cedo". São sete horas. Mãe, tenho certeza que vou ser dispensada antes disso.
Fico no restaurante e espero até as 8 horas. Nenhum gato moreno e sarado pergunta por que estou lá sozinha. Nenhum loiro simpático diz que ele é um canalha por me deixar esperando. Às 9 horas, vou embora, não muito surpresa. Eu nem coloquei um sapato de salto. Eu nem esperava encontrar uma pessoa que existe.
Minha mãe pergunta por que voltei cedo. "Os homens de hoje em dia não são cavalheiros".

29 de janeiro de 2013

Rapidinho aqui

5 comentários:
Antes de tudo, um post rapidinho aqui. Sem a intenção de ofender ninguém, mas... desculpe, posso acabar ofendendo, porque é um assunto sério.
Você realmente se importa?? Você realmente está de LUTO pela tragédia de Santa Maria?
Não estou dizendo que não está. Você pode até ter chorado pela notícia e tudo mais. Mas vem cá, se você realmente diz que se importa... você por acaso doou sangue para as vítimas? Você doou dinheiro? Você convenceu outras pessoas a fazerem isso também? Você realmente se levantou da cadeira para ajudar, em vez de apenas ficar compartilhando frases sentimentais para dizer que ficou triste pela notícia?
Porque eu acho estranho que
14 mil crianças morram POR DIA na África devido a doenças como Aids
20 crianças morram de algum tipo de câncer por dia apenas no Brasil
4,4 mil mulheres por ano são agredidas até a morte no Brasil
2 milhões de pessoas no mundo morram de fome POR DIA
e não tenha nenhum jornal falando sobre isso, nenhum movimento social por isso, nenhuma notícia, nenhuma divulgação de nomes, nenhuma história sentimental sobre o namorado que perdeu a namorada porque ela morreu de fome rolando no Facebook
e principalmente, nenhuma ação para tentar ajudar.
Então, se você realmente se importa, demonstre isso com ações e não com palavras.

30 de dezembro de 2012

Quem é você aqui?

2 comentários:

Desculpem a falta de paciência para escrever, mas é que eu estou fazendo uma história em quadrinhos! E isso abusa muito da minha criatividade para escrita, hahahahahahaha, eu perco as ideias! Logo logo volto a postar blocão de texto. Beijooooooos!!! :)

29 de dezembro de 2012

Quem tem medo?

4 comentários:
Não, não estou falando do medo genérico - medo de ser assaltado, medo de perder alguém querido, medo de morrer - porque isso todo mundo tem. Estou falando do medo que incomoda, do medo que te torna diferente. Você tem isso? Eu tenho.

Às vezes é ridículo. Não consigo dormir sem a luz do corredor / do banheiro acesa, não consigo ficar sozinha em casa à noite, não consigo acordar no meio de um pesadelo sem ligar a TV ou ir dormir em outro quarto. Sim, eu sei que eu tenho 17 anos, já devia estar pensando em começar a trabalhar e ir morar sozinha, e até hoje tenho medo de ficar sozinha na minha própria casa. Por quê? Porque eu tenho medo. De. Ver. Uma. Droga. De. Espírito.

"Tá, mas espíritos não existem". "Tá, mas se um espírito fizer contato com você, não vai ser pra te fazer mal, vai ser pra te avisar alguma coisa". Ok, falar é fácil, durante o dia eu também não acredito em espíritos. Mas fala isso pra mim quando eu tiver quase chorando de medo, sozinha, de noite. É incrível: pode não ter nada no meu quarto, mas basta algum móvel estalar / o vizinho de cima fazer algum barulho / alguma coisa cair que tudo se torna bem real. Não, felizmente nunca cheguei a ver nenhum espírito. Mas fico de cabelo em pé somente de pensar na ideia. Histórias de espíritos, então, brrrr!

Então, como eu não tenho ideias para finalizar a postagem, vou deixar uma foto de presente pra vocês de uma garotinha muito simpática.


Boa noite :)

21 de outubro de 2012

As reviravoltas

6 comentários:
Quando, no meio da aula, antes de dormir, acordando, você pensa nele.
Quando ele passa - nem precisa falar com você, basta passar perto de você - seu coração acelera, você começa a tremer, você quer abraçá-lo. E quando ele fala com você? Dá vontade de falar com ele para sempre, continuar olhando nos olhos deles para sempre...
Quando você sabe de todos os defeitos dele, e acha que ele é perfeito exatamente do jeito que ele é.
Quando você não tem coragem de falar isso pra ele... você não consegue dizer uma palavra perto dele sem gaguejar, e, mesmo que consiga, fala besteira. Você tem certeza que ele te acha boba por tudo que você já disse. Se arrepende de tudo o que falou, e se arrepende de não ter falado mais.
Quando ele chega, você sorri. Quando ele vai embora, o sorriso desaparece, e você só quer ir pra casa.
E ele nunca percebe isso. Nunca. Porque você é a pessoa menos provável no mundo que goste dele. Porque você nunca deu um sinal, uma indireta. E nem dará... você é tímida, fazer o quê?

E então ele destrói nosso coração em pedaços... ele arranja outra garota, e te esquece. Ele fica com todas as meninas do mundo, menos com você. Ele começa a gostar de várias garotas, mas nunca de você. E, enquanto você sofre por isso, ele está na casa dele, vendo TV, jogando videogame, falando com os amigos, e nem se lembra da sua existência.
Não dói? E então, no meio da aula, antes de dormir, acordando, você só pensa nele, mas não com aquela felicidade de antes: você só quer chorar e chorar.
Quando ele passa, você quer evitá-lo, mas não consegue, porque deseja a companhia dele, mas sofre com isso. E quando ele vai embora, você sofre mais ainda.
Você tenta se convencer de que ele não é bom pra você, analisando todos os defeitos dele. Mas é tudo uma ilusão, pois você realmente não se incomoda com nenhum deles.
E você não tem coragem de demonstrar um pingo desse sofrimento para ele. Talvez você jogue umas indiretas ou outras, mas ele sempre ignora, ou acha que não é com ele.
E você não fala nada, porque, afinal, não quer que ele fique com você por pena.
E não adianta nenhuma amiga tentar te iludir - ele não gosta mesmo de você. No máximo como amiga, se é que chega lá - às vezes ele nem sequer se lembra de quem você é. O que você fala ou faz não tem a menor importância pra ele.

Parece que demora eternidades - primeiro a gente acha que são apenas algumas semanas de sofrimento, mas se tornam meses, até anos... e ele ainda não se importa.
E então você descobre que ama ele e que não pode viver sem ele. E que faria qualquer loucura só para que ele te notasse. Que você sempre fez um monte de idiotices só pra ter a droga da atenção dele.
Mas você não fala com ele porque ainda quer ter a chance de ter uma amizade normal com o dito cujo. E isso não é errado. Não somos trogloditas para conseguir um macho acima de tudo.
No entanto, nos separamos dele para o resto da vida. Conhecemos outras pessoas interessantes... e enfim esquecemos dele.
E um belo dia, no nosso quarto, revemos fotos dele, temos lembranças...
Nessas horas que dá vontade de voltar atrás e ter falado alguma coisa, você realmente teria feito diferente?

20 de outubro de 2012

O que faz com que você seja você?

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Alguma vez alguém já te pediu pra se descrever? Não fisicamente, mas em termos de personalidade. Você tinha a resposta na ponta da língua ou ficou meio encucada? A grande maioria das pessoas responderia o básico: boa amiga, boa filha, simpática... mas será que é isso tudo que podemos falar sobre nós mesmas?

Normalmente, costumamos pensar de nós mesmos o que os outros falam pra gente, já pensou nisso? Por exemplo, se a maior parte das pessoas falar para a gente que somos tímidas, acabamos achando mesmo que somos, efetivamente, tímidas. Mas o que define ser tímida e não ser? Todos nós temos vergonha de alguma coisa, mas ter vergonha do quê, exatamente, nos torna tímidos? Se alguns têm vergonha de falar em público, são tímidos? E se alguns têm vergonha de cantar, por que não são também

E assim podemos indagar para muitas outras coisas. O que faz com que sejamos simpáticos ou não, engraçados ou não, pacientes ou impacientes? Somos alguém sem a opinião dos outros? Como nos definimos sem depender do julgamento social?

A coisa fica ainda mais complicada quando não há uma "maioria": algumas pessoas acham uma coisa de você, e outras acham completamente o oposto, sem que você as trate de maneira diferente. Você pode agir exatamente da mesma maneira com duas amigas diferentes, mas uma diz que você é muito corajosa, e a outra, que você tem medo de tudo. Em qual das duas acreditar? Será que dependemos mesmo da opinião delas para definir nossa personalidade, ou temos um padrão e uma delas está errada a nosso respeito?


15 de outubro de 2012

Refúgio

2 comentários:
Oi gente!! Sei que estou há um tempão, acho que um mês, sem postar nada... mas acho que todos vocês já sabem o motivo XD desculpa!! Aqui vai o novo!!
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Algum de vocês ainda sonha com um mundo mágico? Ainda sonham em acordar no meio da noite com o barulho do Peter Pan procurando a sombra no seu quarto? Ou em achar um coelho branco numa viagem para algum sítio que te levasse para uma toca misteriosa? Ou em se esconder no guarda-roupa e encontrar um mundo mágico? Ou, quem sabe, finalmente receber aquela carta atrasada de Hogwarts?
A mágica existe no momento em que a criança não encara a própria realidade. Desde pequenos temos responsabilidades pesadíssimas: os limites do nosso corpo, o dever de casa, o dever de obedecer aos pais, não podermos sair de casa sozinhos, não podermos dormir, comer, brincar na hora que quisermos.

Algumas dessas responsabilidades aumentam, outras diminuem. Mas nossa cabeça vai sempre arranjar um jeitinho de preservar cada desejo não transformado em realidade, em forma desses pequenos mundos mágicos.
Alguns de nós preferem espelhar essa necessidade no mundo mágico de outras pessoas - criado por autores de diversos livros, roteiristas e diretores de cinema, etc. - , criando assim um mundo mágico coletivo, compartilhado por diversas pessoas com desejos em comum. Mas às vezes, quando crescemos, esquecemos de criar nosso próprio mundo mágico, um mundo particular, que ninguém jamais entrou nem imaginou como é, apenas você.
Praticávamos muito isso quando éramos crianças. Como nossa imaginação era maior, e nossa vivência, menor, podíamos acreditar e mergulhar profundamente em tudo que criávamos, principalmente quando brincávamos sozinhos. Agora, porém, não vemos mais sentido em estarmos sozinhos e começarmos a brincar numa fantasia do nada, falando sozinhos e interagindo com seres imaginários. Mas por que não? Não foi só a razão que nos tomou: foi a preguiça. Porque inventar um mundo inteiro, uma história, e ser o herói dela, dá muito trabalho. E por isso as crianças são pequenos gênios tão esforçados: elas estão sempre criando um mundo, o destruindo, o salvando, e nós nem percebemos nada.

Então por que não começar a criar nosso próprio universo? Não sabe como? Pois bem, tudo começa com uma simples decepção. Como, por exemplo, querer comer chocolate e não haver nenhum por perto. No seu mundo, para compensar, tudo pode ser comestível e ter gosto de chocolate. Uma decepção amorosa pode criar um príncipe exatamente como o garoto que você gosta, mas com uma pequena diferença: ele é um cavalheiro e gosta muito de você. Aquela vontade de não estudar mais? Você pode criar as pílulas da inteligência, e assim ninguém precisa estudar nada.
E você pode se refugiar na sua fantasia quando quiser. Sempre que sentirmos insegurança, medo, cansaço, tristeza, ali está um mundo em que tudo o que você quer é possível. E para chegar nele não é impossível: é só preciso ter muita imaginação e muita dedicação a ele. E lembrar que só existe realidade se também existir fantasia em nossas vidas.

28 de agosto de 2012

À distância

4 comentários:
Quem nunca teve um romance secreto com o seu ídolo? E trair ele secretamente com o ídolo número 2, e ainda ter um caso com os ídolos 3 e 4?


Quem nunca sonhou que um dia iria viajar para Hollywood, e então um diretor encontra você e diz que seria perfeita para uma figurante do filme dele. E o filme não é com ninguém menos que o ator que você é secretamente apaixonada à distância! E então você entra no set, grava a cena rapidinho e, enquanto tira o figurino, esbarra acidentalmente com o astro. Ele te pede desculpas e vocês começam a conversar, e, é claro, a conversa é ótima e vocês têm muito o que falar. Logo depois ele te pede o seu telefone e, num dia livre da agenda apertada dele, vocês saem juntos e ele fica completamente apaixonado por você. Não parece coisa de filme?

Esse fenômeno é, e sempre foi, muito comum entre mulheres de qualquer idade, principalmente entre adolescentes. Com a internet, o problema se agravou, pois juntando o Google, sites de fofoca, Wikipedia e Twitter, você literalmente sabe absolutamente tudo sobre seu ídolo - e passa cada dia querendo saber mais! E nem adianta sua mãe dizer que você não sabe nada sobre esse garoto. você sabe onde ele está, quais são seus amigos, quem é que ele não gosta no mundo dos famosos, sua cor, filme e música favoritos, onde ele estudou, como ele age quando está com os outros, se foi bom aluno, se apronta muito, toda sua biografia... então o que, exatamente, você não sabe sobre ele?
Tem dias que se resumem a coletar fotos deles na internet de todas as idades pelas quais ele já passou. Tem outros que você lê 10 versões diferentes da biografia dele para ver qual a mais verdadeira. Tem dias que você passa grudada no Twitter só para saber o que ele está pensando. E todas as pessoas que já fizeram isso, com certeza, já ouviram: "ele nem sabe que você existe".

Sim, ele não sabe que você existe. E isso dói. Dói mais ainda saber que existem garotas que são tão loucas por ele quanto você, e que ele considera vocês, loucas por ele, todas iguais. Dói saber que, mesmo que fosse só você, ele jamais teria como retribuir. Dói quando você fica sabendo que ele arranjou uma namorada - dói tanto quanto uma traição. Dói saber que vocês moram muito longe, provavelmente falam outra língua e, mesmo se vocês se esbarrassem por um mágico acaso na rua, o máximo que você teria dele seria uma foto e um autógrafo.

Mas você não quer isso! Você quer um bilhete de amor com a assinatura dele em vez de um autógrafo. Você quer várias fotos com ele, em todos os momentos felizes da sua vida. Você não quer falar que ama ele e ouvir que ele ama todos os fãs pelo apoio - você quer ouvir a resposta de que ele te ama por quem você é. Você não quer um aperto de mão, quer um abraço, um cafuné, e todos os dias! Você não quer apenas um tempinho com ele... você quer tê-lo para sempre.

É, fã sofre. Emocionalmente. Mas, no fim, você jamais será apaixonada por ele para sempre. Você pode até continuar admirando seu trabalho, beleza e/ou personalidade, mas a pessoa que você irá amar vai ser uma que te ama equivalentemente.

Mas, por enquanto, nos nossos dias de encalhada - ou seja, na nossa adolescência - ficamos babando com a foto dele no protetor de tela do nosso computador.
Uma foto dele. Tão lindo. Famoso. Talentoso. Gentil. Carinhoso. Atencioso. Milionário. Divertido. Tranquilo e desencanado. Sabe dirigir. Sabe tocar dois instrumentos e andar de skate. Centenas, ou até milhares de garotas o admiram. O sorriso, tão fofo, sincero e ingênuo. O olhar desatencioso e pacífico, exaltando seu tão típico bom humor.
E nós seremos só mais algumas fãzinhas obcecadas por ele. Dificilmente ficaremos famosas, principalmente a esse nível, e as probabilidades dele se interessar por nós em específico é praticamente nula.
Então pra quê tanta dedicação, tantas frases emocionadas, tantas brigas? Tudo isso passa e seguimos em frente. E nossa loucura não passará de uma memória doida e muito divertida! Portanto, ame seu ídolo conscientemente :)

21 de agosto de 2012

Preconceito de idade

11 comentários:
Não, você é adolescente, não sabe de nada e fica nesse computador o dia inteiro.

Quem nunca ouviu essa frase na vida? Pois é. Infelizmente, somos considerados a pior idade da sociedade. 
Quando somos bebês, somos fofinhos e não fazemos nem falamos nada. Quando somos crianças, fazemos uma bagunça dos infernos e falamos um monte de besteira, mas todo mundo ainda acha fofinho. Quando somos adultos, somos inteligentes, trabalhadores árduos e sabemos das "coisas do mundo". Quando somos idosos, somos respeitados e cuidados, porque somos muito experientes, com muitas histórias interessantes para contar.
E os adolescentes? "Adolescente não presta pra nada, só fica nesse computador o dia todo, só fala besteira com os amigos, não trabalha, não se esforça pra ir bem na escola, vive na moleza", etc. Nas poucas vezes em que alguém dá bola pra gente, é sempre a mesma conversinha: os "namoradinhos", o que você quer ser quando crescer e qual é a música que estamos ouvindo.

Mas como assim, produção? Pra começar, essa história de que "adolescente é uma idade especial" (leia-se: aquela idade especial em que ninguém os suporta) surgiu na década de 50 pela indústria cultural de cinema e música, produzida pelos próprios adultos. Toda essa história de que adolescentes ouvem músicas diferentes das dos adultos, que brigam com os pais e com o resto da família, se sentem excluídos do mundo e nunca passaram por sufoco é, no mínimo, ultrapassada.
Nós somos trabalhadores. Acordamos mais cedo até do que nossos próprios pais para ir na escola, e passamos o dia inteiro indo lá ou estudando em casa. E quem não faz isso é exceção, ok? Uma minoria. E essa minoria normalmente age assim por culpa dos pais.

Não somos rebeldes, não temos nenhum motivo para isso. Nossos próprios pais já vieram de uma educação que não era tão religiosa e moralizada como antigamente. Hoje em dia falamos abertamente de vários assuntos que antes eram tabus, contamos sobre nossas próprias vidas sem nos preocupar em ter que ajoelhar no milho ou qualquer castigo físico.
Não reclamamos de tudo. Ok, é uma fase onde os hormônios estão mais em alta e temos tendência a nos estressar mais fácil, mas isso varia de pessoa para pessoa assim como nos adultos. E eu duvido que exista um adulto que não reclame daquilo que ele não goste.
Gostamos, sim, de várias músicas que as gerações mais antigas já ouviam. Conheço inúmeros adolescentes que gostam de Cazuza, Chico Buarque, Caetano Veloso, Legião Urbana e muitas bandas internacionais antigas. Além disso, o gosto musical de nossos pais influencia nosso próprio gosto.
Nossos assuntos não se limitam a festinhas, fofoquinhas e namoradinhos. Pelo contrário, me irrita muito se alguma pessoa falar apenas disso! Posso jurar que eu odeio quando minhas amigas começam a falar do garoto que gostam. Além disso, detesto festas, pois as pessoas sempre acham que é uma desculpa para exagerar na bebida alcoólica, mesmo sendo menores de idade. E eu duvido que os adultos não façam o mesmo!

Hoje em dia falamos de como podemos mudar o mundo, de democracia, de eleição, de economia, de história, de ciências, e, por que não?, nossa infância querida, seriados de TV que gostamos, livros, revistas, músicas... faz mal? É chato? Chato, pra mim, é ficar falando (e reclamando) de trabalho, quem aguenta?

E, para esses liberais que defendem que a visão do adolescente pelos adultos mudou, tenho provas muito claras de que existe, sim, um preconceito:

Quando eu ligo para os meus pais e eles não atendem:
Desculpa, filho, não ouvi, não vai ficar bravo por isso, né? Desculpa se era importante, o que eu podia fazer?

Quando meus pais me ligam e eu não atendo:
PORQUE VOCÊ NÃO ATENDEU A DROGA DO SEU CELULAR, EU TE DEI UM PRA QUE? PRA NADA, VOCÊ NUNCA ATENDE!

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Quando um adulto entra no ônibus carregando uma mochila pesada:
Coitado, deve estar tão cansado. Vou ver se ele não quer meu lugar.

Quando um adolescente entra no ônibus carregando uma mochila pesada:
Não basta ser vagabundo, fica carregando essa mochilona pra lá e pra cá, atrapalhando os passageiros!

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Quando minha mãe pede um favor:
Não vai cumprir por quê? Até parece que você tá ocupada, olha só que moleza, passando o dia inteiro nesse computador! E reclama se eu peço um favorzinho!

Quando eu peço um favor pra minha mãe:
TÁ ACHANDO O QUÊ, QUE EU SOU SUA ESCRAVA? EU TENHO QUE FAZER COMIDA PRA VOCÊ, LIMPAR A CASA, ME MATAR TRABALHANDO AQUI E LOGO QUANDO EU TENHO UM TEMPINHO DE DESCANSO VOCÊ VEM NESSA SUA CARA DURA ME PEDIR FAVORZINHO? TEM MÃOS E PERNAS PRA QUÊ? PASSA O DIA INTEIRO NESSA MOLEZA E NÃO QUER FAZER NADA!

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Quando um adulto me fala de uma música:
Você deveria ouvir essa música, a letra é bem interessante e inteligente, você iria gostar!

Quando eu falo de uma música para um adulto:
Parece legal pra sua idade, mas eu não vou ouvir essa banda, é pra adolescente! (quando você ainda nem falou qual era o nome).


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Quando os adultos estão falando um monte de besteira em público:
Oh, olha só que legal, um grupo de amigos se divertindo! Parecem ser inteligentes, podem ter se conhecido na faculdade.

Quando adolescentes estão falando um monte de besteira em público:
Eita idade fácil! Aposto que se conheceram na escolinha, nem devem conviver com outras realidades, passam o dia inteiro no computador. Credo, só falam merda, parece que estão bêbados! Devem estar, mesmo, e nem vão presos por isso, são filhinhos-de-papai. Na minha época não era essa moleza toda não...

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19 de agosto de 2012

Se

8 comentários:
Se eu tivesse um clone, será que ele viraria meu melhor amigo? Sei o que a maioria das pessoas (ou seja, a minha mãe) responderia nesse caso: "ninguém consegue suportar seus próprios defeitos". Mas o que será que eu faria comigo mesma?

Eu daria uma longa caminhada no parque ao meu lado para discutir assuntos dos quais me sinto indecisa. Minha outra "eu" iria me responder se eu realmente gosto de alguém, no que eu quero trabalhar de verdade, quem eu considero realmente meu amigo, se me deixaria mais feliz hoje ficar em casa ou sair, se eu me sinto doente mesmo ou é só vontade de não ir à escola...

Eu discutiria muito comigo. Me perguntaria o tempo todo por que eu não estudei o suficiente para aquela prova, por que eu respondi meus pais se não adianta nada e eles continuam não me ouvindo, por que eu contei um segredo para alguém que eu não devia, por que eu ainda não arrumei meu quarto... mas, ao mesmo, tempo, ficaria me lembrando de várias coisas importantes ao longo do dia!

Quando eu colocasse uma música, dançaríamos freneticamente sem vergonha nenhuma e cantaríamos a todo o volume. E ninguém iria reclamar que eu não saberia a letra inteira! E quando eu não estivesse a fim de ir a algum lugar, minha outra "eu" também não estaria e me faria companhia. Quando eu estivesse muito a fim de ir a algum lugar, ela faria de tudo para economizar todo dinheiro possível e vir comigo. Reclamaríamos exatamente das mesmas coisas. Poderia desabafar tudo para ela, que ela sempre me julgaria da maneira mais sábia possível. Sofreríamos pelas mesmas coisas, ao mesmo tempo que disputaríamos as mesmas coisas que quiséssemos.

E se essa "eu" fosse eu daqui a 1 ano, ela me daria ótimos conselhos!!


18 de agosto de 2012

Vídeo da vez

6 comentários:
Gente, hoje um colega meu achou esse vídeo não sei aonde, e eu rachei de rir... na verdade, estou rindo até agora!



Detalhe: sim, a música é uma paródia de "What Makes You Beautiful" do One Direction.

O mais legal do vídeo é a expressão de animação do garoto presente em todas as cenas XD

E alguém sabe me dizer o que é "ir para a baleia"? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Enfim, como eu estava com preguiça de postar hoje (tive simulado com redação e talz), mando só esse vídeo para a sua diversão. Espero que se divirtam tanto quanto eu me diverti!!

14 de agosto de 2012

Nova espécie

8 comentários:
Recentemente os biólogos descobriram uma nova espécie de animal: as shorticulus curtus, vulgarmente conhecidas pela população como "piriguetes".
Essa espécie vive principalmente em zonas tropicais e subtropicais de países subdesenvolvidos e se alimentam tipicamente de chicletes Trident e chocolate barato.
O curioso dessa espécie é a sua adaptação às mais baixas temperaturas: mesmo com menos de 20 graus Celsius no ambiente, as piriguetes se vestem com regatas e shorts jeans sem apresentar sinais de frio. A espécie, porém, se mostra pouco resistente ao ar condicionado: quando expostas ao mesmo por mais de 15 minutos, começam a procurar loucamente o moletom de algum macho que seja, no mínimo, 3 números maior que seu tamanho original.
O animal emite 3 tipos de sons:
- Quando está alegre: uma gargalhada alta e espalhafatosa
- Quando está assustada: gritos muito agudos
- Quando está triste: resmungos agudos em um tom de voz muito alto, misturado com soluço devido às lágrimas
O ritual do acasalamento da espécie é bastante peculiar. Consiste, primeiramente na fêmea emitir sons fanhos e roucos perto do macho, seguidos da dança de acasalamento específica do gênero, mais conhecida como "funk". No período fértil, a fêmea sente a necessidade, também, de aumentar seu grau etílico no sangue, bebendo muita vodka.
As piriguetes andam sempre em grupo, principalmente na hora de fazer as necessidades. Os biólogos entendem a situação como tendência à bissexualidade e maior intimidação na hora de escolherem seus lugares na sala de aula, mas essa teoria ainda está sendo estudada e testada.
A espécie pode ser facilmente encontrada e praias, boates, escolas de ensino médio e bailes funk. São muito fáceis de serem fotografadas e filmadas em qualquer época do ano, e possuem a habilidade de parecerem bonitas através de lentes.
Seus hábitos diurnos e noturnos são: reclamar de sono, fofocar, mascar chicletes, falar sobre garotos, praticarem o ritual do acasalamento e dançar.


12 de agosto de 2012

O índio civilizado

9 comentários:
Por que não civilizar o índio? "Porque senão eles vão perder sua cultura". Será mesmo?
Lembrando que o índio é um ser humano tão inteligente e com tantos direitos quanto qualquer um de nós. Se nós temos contato com novas tecnologias e culturas diferentes, por que eles não podem? Não me lembro de ninguém ter viajado para o exterior e ter perdido sua "cultura brasileira". Nem de alguém ter conhecimento de novas tecnologias e perder suas "tradições". Existem, sim, pessoas que se identificam mais com outros países, se mudam para o lugar que preferem e deixem de se declararem brasileiros. É temido que as diversificadas culturas do índio, porém, por serem muito raras por conta da baixa parcela de população indígena, se percam. Mas por que a solução tem que ser tão radical a ponto de tirar o direito do índio de escolher a cultura com a qual mais se identifica? Se a sua pele for negra e sua família seja de origem africana, você não é obrigado a se isolar do resto da população brasileira e seguir apenas a cultura do seu país de origem. Por que, então, que um indígena é obrigado a seguir isso?
Faz algum sentido esconder a "civilização" das aldeias indígenas? Vale a pena isolar essa parcela da população para evitar a miscigenação de culturas? Quando dizemos que o Brasil é um resultado de vários costumes misturados, porque a indígena é "um caso a parte"?
Eu acho, na verdade, que a solução para preservar essa cultura maravilhosa não é isolar aldeias indígenas do resto do Brasil e nem evitar a tecnologia dentro desse meio, e sim divulgá-la para o resto do país. Fazer espetáculos de dança inspirados em rituais religiosos, escrever livros dos costumes tribais, valorizar sua culinária nos restaurantes mais famosos e, algo que já acontece, que é usar suas manufaturas como inspiração para a venda de trabalhos artesanais e roupas.
E você, o que acha?

7 de agosto de 2012

A musa deles

9 comentários:

Eis aqui um pequeno manual de como conquistar o coração de muitos garotos.

Na aparência: Seja o máximo da beleza padrão possível. Não tenha nenhum tipo de beleza exótica ou qualquer característica marcante que diferencie muito seu rosto dos demais. Ou seja, não tenha sobrancelhas muito grossas, não tenha um nariz muito grande, não tenha queixo duplo, não tenha lábios muito grossos, não seja dentuça, não tenha a cara muito ossuda, e de preferência tenha olhos claros e pele moreninha-bronzeadinha. Não seja magra nem gorda, não seja alta nem baixa, só use aparelho se todo mundo usar. Não tenha o cabelo nem muito curto nem muito longo, nem muito crespo nem muito ousado. Não tenha a voz nem muito fina nem muito grave, e tenha o mínimo de sotaque possível. Tenha peito e bunda, mas não muito. Não tenha e unha nem muito comprida nem muito curta. Não exagere na maquiagem nem na ousadia das roupas, mas ao mesmo tempo use maquiagem e roupas ousadas. Tenha o rosto redondo, olhos grandes e amendoados, lábios grossos mas não muito, nariz arrebitadinho mas não muito, cabelo médio e liso, e seja igual a todas as outras garotas.

Na personalidade: seja OU muito fácil, para que eles se sintam atraídos pela sua promiscuidade, OU muito difícil, para que eles sejam atraídos pelo seu mistério. Na verdade, não tenha personalidade, seja apenas uma garota que fala apenas verdades e fatos (sem esclarescer opiniões), ou seja, fofoca, e ria de qualquer gracinha sem graça besta que os garotos fizerem. Tenha o mesmo gosto pra música, esporte, tv e cinema que eles. Concorde sempre com a opinião da maioria. Nunca gagueje, tropece, nem deixe nada cair. Não seja estudiosa demais nem vagabunda demais. Não seja nem muito tímida nem muito extrovertida. Não se preocupe demais com a aparência, mas também não seja desleixada. Não seja muito infantil, mas também não muito adulta. Não seja a palhaça do grupo, vai que suas piadas não têm graça? Não demonstre seus gostos verdadeiros, vai que os garotos zoam deles? Não seja muito meiga e fofa, vai que os garotos acham que isso tudo é frescura? Não seja muito radical e moleca, vai que eles te chamam de sapatão? Não faça nada. Aja como uma garota normal. Como todas as outras garotas.

Seguindo essas dicas, você vai ter um monte de babacas loucos para ficarem com você.

 Sendo você mesma, se esperar o tempo certo, você vai ter um garoto que te ama exatamente pelo que você é e que faria de tudo para te namorar. 

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30 de julho de 2012

Idade Mental

6 comentários:
Eu tenho 17 anos atualmente. E ao mesmo tempo não tenho. Quando alguém pergunta minha idade, ninguém acredita. Pensam que sou mais nova. Será que é só pela minha cara de criança? Talvez não.



Eu ainda choro sempre que meus pais brigam comigo. Levo bronca de professor a sério. Tenho medo de ir ao médico, ainda mais se for sozinha. Detesto arrumar o quarto. No meu iTunes ainda tem Demi Lovato e Miranda Cosgrove. Ainda gosto de jogar Uno e Perfil quando meus amigos vêm aqui em casa. Acho o máximo brincar de Barbie. Festa de arromba pra mim significa piscina de bolinhas e muito doce e cachorro quente. Danço e canto igual uma retardada a qualquer hora em qualquer lugar (e meus amigos têm que ficar me controlando). Saio correndo pelo shopping e brinco de esconde-esconde nas araras das lojas de roupas. Prefiro Nescau a café. Tenho uma toalha da Pequena Sereia e amo todos os filmes da Disney. Quando gosto de um garoto, nunca tomo a iniciativa e espero que ele se apaixone magicamente por mim. Tenho inveja dos amigos que tiram notas maiores do que eu. Sonho acordada na sala de aula e rabisco o caderno. Escondo, mas tenho medo quando as pessoas bebem ou fumam. Minha sopa preferida é a de letrinhas. Sim, entro na Internet para acessar sites de jogos, principalmente os de vestir e maquiar bonequinhas. Passo bilhetinho para as amigas. Acredito em amor de conto de fadas.


Tento sempre ver o lado bom de todo mundo (mas em algumas pessoas não dá). Ainda assisto Bob Esponja e converso com os meus amigos sobre desenho animado. Não vivo sem chocolate, bala e chiclete. Vou no cinema ver desenho animado, dublado, e obrigatoriamente com pipoca e refrigerante. Durmo com bicho de pelúcia. Roo as unhas a ponto delas ficarem tão curtas que não dá nem para passar esmalte. Sento no banquinho alto do ônibus sempre que possível, e na janela. Tiro foto na frente do espelho pra garantir que eu não faça nenhuma cara feia. Toda Páscoa peço um Super Kinder Ovo e ainda insisto em ganhar presente no Dia das Crianças. Até hoje acho que quem anda com 100 reais na carteira é rico. Tenho mais medo do que vontade de ir pra faculdade. Canto na frente do espelho. Gosto de ser cuidada e mimada como um bebê quando fico doente (por mais que seja só um resfriado). Não tomo nenhum suco sem colocar uns 10 pacotinhos de açúcar antes. Sou fofa com todo mundo mesmo que eu não queira, porque eu simplesmente não consigo ser grosseira com alguém. Fico vermelha e tremendo sempre que falo alguma coisa em voz alta para a turma. Tenho medo dos espíritos quando vou dormir, mesmo não acreditando em vida após a morte. Sou o tipo de pessoa que faz brincadeiras idiotas com o amiguinho, como esconder o estojo. Sempre faço dever de casa na última hora. Morro de vergonha de ficar de biquíni na frente dos outros. Não consigo guardar meus segredos por muito tempo. Em vez de olhar para o meu futuro, gosto muito mais de relembrar o passado.

Minha idade mental é 13, 10, 5... tudo, menos 17.