14 de outubro de 2011

Nº 1

O que pensamos quando vem aos nossos ingênuos olhinhos a terrificante imagem do número 1? Em caso de boletim, desespero. Em caso de competição, inveja. Em caso de capítulos, uma longa e desinteressada introdução. E podemos dizer que, neste caso, o número 1 é um capítulo, um capítulo de uma longa jornada, que pode nos levar a vários lugares, ou a lugar nenhum.

O que é o capítulo 1 quando lemos um livro? Qual o seu poder? Seu poder é extremamente múltiplo e pode ser os dois opostos: ou nos deixa curiosíssimos com a leitura e avançamos cada página acompanhando a rapidez da batida de nossos corações ou causa enormes e vagarosos bocejos que nos levam a fechar o pobre livro e nunca mais abri-lo. Ou então nenhum dos dois, pode apenas nos levar a uma leitura provavelmente boa, ou provavelmente ruim, ou pode ser simplesmente monótono, mas não tão ruim a ponto de nos fazer parar. Afinal, não se pode julgar um livro pelo primeiro capítulo, e não só os livros, mas tudo que inclui um primeiro capítulo (entendeu a indireta?).

Não ignoremos os outros horripilantes números 1 que existem por aí. Que sensações eles causam, além de desespero e inveja? Medo, curiosidade, competitividade, tendência à perfeição e/ou ao exagero, fanatismo, obsessão, começo, e – por que não? – fim, necessidade de realizar um objetivo, reflexão, parar, seguir, permanecer.Na minha pobre cabecinha, ligado a alguns traumas de infância, o número 1 me assombra pelo espírito da competição e, consequentemente, da inveja.

Veja só, eu era a nº 1 da sala de aula até que chegou umazinha, na terceira série, que tirava notas melhores que eu. Desde então, nunca mais fui a número 1, ao só da sala, mas em absolutamente nada, e foi crescendo um sentimento de raiva, inveja e admiração das números 1 em todo o resto de possibilidades em que se possa ser o número 1. Nunca cheguei em primeiro lugar em nenhum concurso, nunca fui a melhor em esportes, nunca tive nenhum talento insuperável, nunca tive um trending topic no Twitter, nada. Nem mesmo a número 1 da chamada eu era. Mas pelo menos o número 1 é o dia do meu aniversário.Creio que, se postagens tivessem sentimentos, o desta primeira seria o orgulho de ser o número 1. Porém, cara postagem, à medida que aparecerem postagens novas, você vai ficando para baixo, para baixo, para trás... e então sempre será a última. Porque, como diz aquele insano ditado? “Os últimos serão os primeiros”. E os primeiros, os últimos?

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